Diploma Avançado em Perspectivas e Metodologias Participativas para o Aprofundamento Democrático
3ª turma | Programa online | Início em abril de 2025
COORDENAÇÃO ACADÊMICA
Romina Rébola (Faculdade Regional de Rafaela, Universidade Tecnológica Nacional e Universidade Nacional de Rafaela, Argentina) Imanol Telleria (Universidade do País Basco, Espanha) e Mariano Suárez (Universidade da República, Uruguai)
CORPO DOCENTE
Igor Ahedo Gurrutxaga (Universidade do País Basco, Espanha), Rosa Ynés Alacio García (Universidade Autônoma da Cidade do México, México), Antônio Álvarez-Benavides (John Jay College of Criminal Justice, City University of New York), Luís Arnanz Monreal (Universidade Complutense de Madrid, Espanha), Pablo Costamagna (Instituto Praxis da Faculdade Regional de Rafaela da Universidade Tecnológica Nacional e da Universidade Nacional de Rafaela), Leonel Del Prado (Universidade da República, Uruguai) Víctor Fernández González (Universidade Católica de Maule, Chile), Néstor Garcia (Universidade Complutense de Madrid, Espanha), Imanol Telleria (Universidade do País Basco, Espanha), Alicia Lissidini (Faculdade de Política e Governo da Universidade Nacional de San Martín, Argentina) Azucena Morán (Departamento de Democracia do Instituto de Pesquisa para a Sustentabilidade — Centro Helmholtz de Potsdam, Alemanha) Mercedes Oraison (Centro de Estudos Sociais – Universidade Nacional do Nordeste, Argentina) Jone Martinez-Palacios (Universidade do País Basco, Espanha), Fernanda Palacios Sepúlveda (Academia Universitária de Humanismo Cristão e Agenda de Sustentabilidade Energética, Chile), Romina Rébola (Instituto Praxis da Faculdade Regional de Rafaela, Universidade Tecnológica Nacional e Universidade Nacional de Rafaela, Argentina) Gisela Signorelli (Universidade Nacional de Rosário), Mariano Suárez Elías (Universidade da República, Uruguai) Alfonso Torres Carrillo (Universidade Pedagógica Nacional, Colômbia), Tomás R. Villasante (Fundação CREASVI, Espanha) e Mario Zubiaga (Universidade do País Basco, Espanha).
Home: 09 / 04 / 2025 | Registo: 28/11/2024 al 08/04/2025
Formato virtual | Abril a julho de 2025
Este Diploma Avançado é organizado pelo Grupo de Trabalho sobre Processos e Metodologias Participativas e destina-se a estudantes de pós-graduação, graduados universitários e funcionários de administrações públicas e/ou organizações sociais interessados na participação como forma de construir espaços mais horizontais e equitativos e democracias mais fortes. O Diploma está estruturado em cinco módulos que explorarão perspectivas teóricas para analisar as democracias contemporâneas e projetar seu futuro, bem como os principais desafios e tensões que as envolvem. Também analisará, com ênfase em casos latino-americanos e europeus, as tendências atuais, as contribuições e os problemas associados à implementação de mecanismos institucionalizados e experiências participativas auto-organizadas. Por fim, o seminário fornecerá ferramentas metodológicas para apoiar processos participativos e temas transversais que aprimorem a abrangência e a sustentabilidade das ações. O Diploma integrará aspectos teóricos com estudos de caso ao longo dos diferentes módulos, incorporando também as experiências concretas dos alunos. Dessa forma, discussões entre pares e práticas em grupo serão utilizadas como partes do processo de aprendizagem.
A criação e disseminação de múltiplos instrumentos de participação institucionalizada constitui um dos fenômenos mais inovadores das democracias no final do século XX e início do século XXI. Schneider e Welp (2015) distinguem três tipos diferentes: propostas deliberativas, incluindo assembleias de cidadãos, fóruns deliberativos e orçamento participativo; propostas de participação semirrepresentativa ou delegada, como conselhos consultivos; e propostas de participação direta, como referendos e eleições revogatórias.
Elstub e Escobar (2019) identificam quatro tipos de inovação democrática. Primeiramente, destacam as abordagens da democracia deliberativa, participativa e direta. Eles relacionam inovações como assembleias de cidadãos com a democracia deliberativa; orçamento participativo com a democracia participativa; e referendos com a democracia direta. Contudo, os elementos centrais de cada uma dessas abordagens podem ser combinados. Especificamente, o quarto tipo proposto, a governança colaborativa, permite a articulação de processos de deliberação, participação e tomada de decisão, como ocorre em muitos planos comunitários, que se originam de convites ou emergem de movimentos disruptivos dentro da sociedade civil (Elstub & Escobar, 2019: 10).
A maioria dos analistas concorda que, por várias décadas, a América Latina e o Norte Global testemunharam uma onda participativa caracterizada pela institucionalização da participação (Ganuza, 2003). Apesar da importância desse fenômeno, autores como Villasante (2003) e Cheresky (2006) enfatizam a importância dos processos auto-organizados de participação social na configuração do cenário atual.
Nos últimos tempos, os movimentos sociais e as organizações comunitárias têm desempenhado um papel decisivo na configuração deste novo panorama caracterizado pela ascensão da participação. Ao mesmo tempo que os partidos políticos se desfazem e as principais instituições representativas se enfraquecem, as organizações sociais multiplicam-se e os repertórios de expressão política diversificam-se.
Essa questão nos obriga a considerar o protesto, a mobilização e a ruptura como mecanismos que ativam lógicas participativas, as quais podem operar em paralelo, em confronto ou em colaboração com as dinâmicas institucionais de participação. Nesse sentido, Bua e Bussu (2020) argumentam que a compreensão da participação exige considerar não apenas como as instituições se abrem, mas também como a sociedade civil exerce pressão sobre elas. Assim, os horizontes normativos da democracia deliberativa, participativa ou direta são complementados pelos da democracia agonística.
Nesse sentido, este Diploma visa abordar criticamente as discussões e os desafios atuais para o aprofundamento da democracia, analisando, por sua vez, a evolução dos processos participativos (institucionalizados e não institucionalizados; por convite ou por emergência espontânea; baseados na democracia deliberativa, participativa, agonística e/ou direta) na América Latina e em alguns países europeus nas últimas décadas, identificando os O verdadeiro poder que as pessoas possuem e quem são essas pessoas que alcançaram destaque.
Além de analisar processos para esclarecer e organizar o caleidoscópio da participação, será dada atenção às metodologias participativas que podem ajudar a fortalecer a democracia interna e as oportunidades para conquistas substanciais, bem como a um conjunto de temas transversais que entendemos serem fundamentais e que devem ser abordados em todos os processos para aprofundar a democracia: gênero, justiça e igualdade, e facilitação da construção de capacidades territoriais.
OBJETIVOS GERAIS
- Fornecer fundamentos teóricos e ferramentas metodológicas para a reflexão crítica e a implementação de propostas de ação para a consolidação da democracia e a construção da cidadania, por meio da participação.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
- Introduzir o debate teórico sobre o aprofundamento das democracias contemporâneas e os princípios normativos dos diversos mecanismos participativos.
- Analise as tendências, conquistas e desafios atuais dos mecanismos de participação institucionalizados.
- Fornecer elementos para fortalecer a análise e a prática de processos comunitários autogeridos.
- Criar ferramentas para trabalhar com metodologias participativas na comunidade e na esfera institucionalizada.
- Identificar reflexões e práticas para trabalhar em determinados aspectos/dimensões transversais em processos participativos, tais como: igualdade de gênero, justiça social, fortalecimento da capacidade local, entre outros.
O Diploma Superior em Perspectivas e Metodologias Participativas para o Aprofundamento Democrático destina-se a estudantes de graduação e pós-graduação; professores de todos os níveis; ativistas e membros de organizações sindicais, movimentos sociais e partidos políticos; funcionários públicos; membros e gestores de organizações não governamentais e profissionais interessados no tema.
O programa é composto por 5 módulos, cada um com 3 aulas semanais, ministradas consecutivamente e interligadas. O curso combina aprendizagem síncrona e assíncrona.
Carga horária total de 128 horas.
Os módulos que compõem o diploma avançado são:
AULA INTRODUTÓRIA ABERTA E GRATUITA: DEMOCRACIAS CONTRADITÓRIAS E PROCESSOS PARTICIPATIVOS
Professor: Tomás Rodríguez Villasante
Resumo conceitual da aula:
A aula será uma sessão introdutória que abordará aspectos teóricos e práticos das democracias contemporâneas, apresentando algumas possibilidades para estudos posteriores. Os tópicos a serem abordados são os seguintes:
A - Em primeiro lugar, será discutido o "porquê" das democracias: Explicação de um esquema com as 4 explorações básicas que nos abalam, nos causam medo e provocam mobilizações (ambiental, trabalhista, identitária e com estilos cocriativos).
B- Em seguida, será abordada a questão "com quem?" nas estratégias democráticas: exemplos e explicações a partir de um esquema com as estruturas e redes de comunicação, nós de retransmissão e conjuntos de ações gerenciais, populistas e orientadas para o cidadão.
C - De onde vem uma abordagem democrática participativa?: Explicação de uma tabela articulada com 15 abordagens de autores e movimentos populares, que sustentam os processos democráticos desde a vida cotidiana até as transformações estatais e globais.
D - Derrotas e autocríticas da participação: Escadas participativas e os enganos em que os profissionais induzem políticos e populações com competições e dilemas versus exemplos de colaborações cocriativas.
Democracias eletrônicas e planos para onde ir?: Da América Latina a Kerala, dos bens comuns no mundo aos minipúblicos. Explicação de um esquema integrador e de um processo com deliberação e consulta anual.
F - Manguezais e processos estratégicos: Explicação de um esquema para construir democracias com iniciativas (conjuntos de ações e ROCE, oficinas para priorizar questões críticas, gerar propostas sociocráticas, monitorar transbordamentos).
AULA 1: A GESTÃO DO ANTAGONISMO: ENTRE A DELIBERAÇÃO E O PROTESTO AGONÍSTICO
Professor: Mario Zubiaga
Resumo conceitual da aula
A tensão insuperável entre conflito e comunidade, fundamento da política, é gerida segundo diferentes modelos: bélico, agonístico, deliberativo e representativo. O processo de democratização avança no espaço intermediário onde os cidadãos, individual e coletivamente, podem "ser parte" e "participar", mesmo que essa "participação não lhes seja dada". Ou talvez precisamente por isso. E tudo isso ocorre num estado permanente de exceção que combina a gestão bélica e a representativa com o objetivo de garantir a estabilidade dos fundamentos sistêmicos.
AULA 2: O GÊNERO IMPORTA PARA A DEMOCRACIA PARTICIPATIVA? Professor: Jone Martínez - Palacios
Resumo conceitual da aula
Nesta disciplina, analisamos como o gênero e outras estruturas de dominação (raça, classe social, idade, entre outras) influenciam de forma restritiva o projeto democratizador da participação cidadã.
A sessão começa com a análise da divergência existente, em nível normativo, entre a democracia participativa e uma perspectiva feminista da realidade. Até recentemente, existiam dois arcabouços teóricos que pouco dialogavam entre si: a teoria da democracia participativa e a teoria política feminista. Contudo, a práxis feminista e as experiências de democratização demonstraram, desde o início, a necessidade de se estabelecer um diálogo sobre a exclusão (mais ou menos naturalizada) de grupos oprimidos da esfera pública. Com base em nossa própria pesquisa prática, na análise crítica de experiências de democracia participativa e na análise da teoria política feminista, examinamos as maneiras pelas quais o gênero, em suas formas objetificadas e internalizadas, inibe a democratização buscada pela prática participativa.
Após essa análise inicial, conclui-se que a questão de saber se a democracia participativa se preocupa com o gênero é insuficiente se houver um desejo de análise crítica da democratização, e as contribuições sobre interseccionalidade em matéria de participação cidadã são analisadas.
AULA 3: PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO “DE BAIXO PARA CIMA” E OUTRAS POLÍTICAS DA AMÉRICA LATINA
Professor: Alfonso Torres Carrillo
Resumo conceitual da aula
Na América Latina, diversas práticas de produção de conhecimento têm sido desenvolvidas em conjunto com lutas sociais e culturais emancipatórias, algumas das quais empregam metodologias participativas. Esta sessão visa reconhecer as contribuições de algumas dessas práticas de pesquisa para a descolonização do pensamento e a geração de alternativas epistêmicas e políticas ao sistema de dominação capitalista, colonial e patriarcal. O objetivo da sessão é destacar e avaliar as contribuições que têm sido feitas.
Critérios epistemológicos, éticos e metodológicos dos processos participativos e da Pesquisa-Ação Participativa (PAP).
AULA 1: FASES DE UM PROCESSO PARTICIPATIVO COM SOCIOPRÁXIS. MAPEAMENTO ESTRATÉGICO COM REDES DE ATORES
Professores: Gisela Signorelli e Mariano Suárez
Resumo conceitual da aula
Serão apresentadas as etapas que caracterizam um processo participativo metodologicamente orientado a partir de uma perspectiva socioprática. Isso permitirá a compreensão do conceito de processo participativo, em vez de técnicas isoladas. Há uma negociação inicial com as partes envolvidas a respeito do conteúdo das etapas e dos possíveis cronogramas, mas a estrutura é flexível, com diferentes fases que variam desde o autodiagnóstico (com feedback criativo) até a execução e o monitoramento das ações planejadas.
Na segunda parte da aula, apresenta-se a técnica do sociograma, ou mapeamento estratégico de atores e redes, abordando sua utilidade no contexto da fase de autodiagnóstico. Suas características são explicadas por meio de um exemplo prático. Condições operacionais de aplicação, enfatizando seu caráter estratégico para o processo e as possibilidades geradas pelo trabalho com conjuntos de ações.
AULA 2: TÉCNICAS PARTICIPATIVAS
Professor: Izaro Gorostidi
Resumo conceitual da aula
Após compreender e situar as metodologias, os processos e a organização participativos, esta sessão propõe explorar e aprender sobre as diferentes técnicas que podem ser implementadas em cada fase do processo participativo. Para tanto, identificaremos as diferentes dimensões a partir das quais as ferramentas de pesquisa utilizadas no desenvolvimento de processos participativos e comunitários são aplicadas. Em seguida, aprofundaremos a análise de diversas técnicas para compreender seu alcance e limitações em cada fase de um processo participativo. Especificamente, diferenciaremos dois momentos-chave em qualquer processo participativo. Por um lado, a fase de diagnóstico será crucial para definir as técnicas de abertura que permitirão delinear os discursos, os problemas e os atores envolvidos em um determinado fenômeno. Por outro lado, a fase de encerramento é estruturada por meio do desenvolvimento do Plano de Ação Abrangente. Nessa perspectiva, apresentaremos ferramentas para iniciar e encerrar a análise na forma de acordos, que variam desde técnicas como sociogramas, pesquisas deliberativas, fluxogramas, seminários futuros, entre outras.
CLASSE 3: FEEDBACK CRIATIVO EM METODOLOGIAS PARTICIPATIVAS
Professores: Antonio Álvarez-Benavides, Luis Arnanz e Néstor García.
Resumo conceitual da aula
No ciclo ou fases de um processo participativo, o feedback é um elemento central e distintivo em comparação com metodologias de pesquisa mais tradicionais. Envolve um compromisso tanto ético quanto metodológico. Após a realização de um diagnóstico participativo, na sequência de uma fase de escuta e aplicação de técnicas de pesquisa voltadas à identificação de problemas, expectativas, necessidades e potencialidades, é recomendável fornecer feedback à comunidade para apresentar os resultados desse diagnóstico. O componente ético reside na necessidade de compartilhar o conhecimento, uma vez que, sob a perspectiva da filosofia epistêmica das metodologias participativas, o conhecimento não pertence exclusivamente ao pesquisador ou à entidade que promove o projeto. Pertence também à comunidade que esteve envolvida em sua disseminação, numa perspectiva de justiça epistêmica. Além disso, o processo de feedback possui também um importante componente metodológico, pois é necessário confirmar o diagnóstico e concluir esta fase do processo, abrindo assim a fase de coleta de propostas para o planejamento participativo. Esta sessão abordará as características, abordagens, elementos, dificuldades e benefícios do feedback criativo em um processo participativo, e explicará técnicas e ferramentas para feedback, como o fluxograma e o multilema.
AULA 1: PARTICIPAÇÃO INSTITUCIONALIZADA. INTRODUÇÃO A ALGUNS MECANISMOS
Professores: Rosa Alacio, Gisela Signorelli e Mariano Suárez
Resumo conceitual da aula
Em 1988, o primeiro orçamento participativo foi implementado na cidade brasileira de Porto Alegre. Desde então, milhares de processos participativos institucionalizados se espalharam pelo mundo, permitindo que os cidadãos influenciem não apenas os orçamentos, mas também outros desenvolvimentos de políticas públicas. Existem inúmeros instrumentos de participação institucionalizada: planos comunitários, planejamento participativo, conselhos cidadãos, júris cidadãos, laboratórios de inovação e muitos outros. Essas iniciativas democráticas de inovação aprimoram a qualidade da democracia ao atribuir um papel mais ativo aos cidadãos tanto na definição dos problemas sociais quanto na busca de soluções. Falamos de participação institucionalizada quando ela envolve espaços regulamentados por autoridades públicas e suas administrações, que solicitam a opinião dos cidadãos para tomar decisões ou empreender ações referentes a uma iniciativa específica. Entre os exemplos mais atuais e reconhecidos estão aqueles que exploraremos nesta disciplina: o Orçamento Participativo (OP) e os laboratórios de inovação.
PARTICIPAÇÃO NA 2ª SÉRIE, RAÍZES DEMOCRÁTICAS E EMERGÊNCIA
Professor: Igor Ahedo
Resumo conceitual da aula
Esta sessão tem como objetivo apresentar as diversas tipologias de participação, ordenadas de acordo com suas críticas subjacentes à democracia. Após definirmos minipúblicos, referendos e orçamentos participativos como expressões respectivas de crítica deliberativa, direta e participativa, focaremos na identificação das características dos regimes de governança colaborativa. Daremos especial atenção àqueles que emergem da base, a fim de aprofundar a reflexão sobre a relação entre, por um lado, contestação e ruptura e, por outro, o aprofundamento democrático. A aula conclui diferenciando os processos de institucionalização da capacidade desses mecanismos de se incorporarem e criarem raízes nas culturas democráticas.
AULA 3: MECANISMOS DA DEMOCRACIA DIRETA
Professora: Alicia Lissidini
Resumo conceitual da aula
Iniciativas cidadãs e referendos promovidos pelo governo não são novidade na América Latina nem no mundo. São praticados por regimes democráticos, híbridos e até mesmo autoritários. Contudo, nas últimas décadas, ocorreram mudanças qualitativas e quantitativas que explicam sua maior prevalência, tanto na lei quanto na prática. O Uruguai foi pioneiro na América Latina, realizando seu primeiro referendo em 1917 e seu primeiro referendo contra uma lei em 1989. Em 2024, uma dúzia de países já os havia adotado, e muitos outros regulamentavam referendos obrigatórios, enquanto a maioria concedia às autoridades o poder de convocá-los. Após analisar as tendências globais, a disciplina examinará os diferentes contextos e experiências das recentes reformas constitucionais e da introdução de processos democráticos diretos na América Latina, com foco no caso uruguaio, dada sua enorme relevância.
AULA 1: COMUNIDADE, PARTICIPAÇÃO E TRABALHO COMUNITÁRIO
Professor: Leonel Del Prado
Resumo conceitual da aula
Comunidade: definições, usos e aplicações nas ciências sociais; Trabalho comunitário: história, objetivos e perspectivas atuais; O contexto atual do trabalho comunitário: neoliberalismo, exclusão social e trabalho comunitário. Trabalho comunitário: dimensões (sensibilização, mobilização e organização). A diferença entre trabalho comunitário e outras práticas. Possíveis tarefas. Textos clássicos sobre trabalho com comunidades. Metodologias: o que não fazer. Dicas para o trabalho.
AULA 2: COMUNIDADES EM MOVIMENTO: FERRAMENTAS PARA COMPREENDER EXPERIÊNCIAS PARTICIPATIVAS
Professor: Víctor Fernández González
Resumo conceitual da aula
É feita uma análise crítica de algumas experiências específicas de participação comunitária, examinando como essa participação se relaciona com a expansão da democracia e a transformação social.
Nesse sentido, e levando em consideração as limitações de tempo do curso, o objetivo é dar conta de uma diversidade de experiências que englobem a participação em instituições e associações (Fung, 2003a; Ganuza & Francés, 2008), o impacto da participação cidadã nas políticas públicas ou no processo político (Eberhardt, 2015; Espinoza, 2004; Garrido-Vergara et al., 2016), com foco nos processos de participação cidadã ou mecanismos de democracia direta (Lissidini, 2011; Schneider & Welp, 2015), ou nas diferentes formas como grupos, movimentos, coletivos e organizações de base se organizam, planejam e tomam decisões (Red CIMAS, 2015; Svampa, 2010), incorporando, ainda que de forma mais tangencial, abordagens que articulam pesquisa, sistematização de experiências e promoção de processos participativos, como a Pesquisa-Ação Participativa ou a Sociopraxis (Falck & Paño, 2015). 2011; Fals Borda, 1999; Fung & Wright, 2003; Jara, 2018; Salazar, 2015; Vargas et al., 1984; Zibechi, 2007).
A forma de abordar essa ampla gama de questões será relacionar as experiências a dois eixos: por um lado, à discussão teórica sobre democracia participativa (Balderacchi, 2016; Lissidini, 2015; Schneider & Welp, 2015; Fung & Wright, 2003; Villasante, 2017) e, por outro, a uma escala de participação (Rede CIMAS, 2015) que vincula os tipos de participação às abordagens de planejamento, rompendo, assim, com a distinção usual entre processos em que a participação pode ser promovida “de cima para baixo” — isto é, por poderes estatais que implementam mecanismos de participação cidadã ou democracia direta — ou “de baixo para cima” — isto é, promovida pelos próprios cidadãos, com movimentos sociais, organizações de base e redes de ativistas desempenhando um papel de liderança. O importante, contudo, é enfatizar como a participação dos atores se relaciona ao contexto das instituições políticas locais.
Espera-se, portanto, que os alunos aprendam sobre experiências e tenham as ferramentas para compreendê-las e melhorá-las.
AULA 3: PARTICIPAÇÃO COMUNITÁRIA: PROCESSOS DE SUBJECTIVAÇÃO POLÍTICA E TRANSFORMAÇÃO TERRITORIAL
Professora: Mercedes Oraison
Resumo conceitual da aula:
Quando falamos de participação comunitária, estamos nos referindo aos processos de organização, mobilização e gestão promovidos por organizações de base e líderes sociais localizados, geralmente, em bairros da classe trabalhadora.
Segundo Maritza Montero (2003, p. 72), no âmbito de tais processos, os membros de uma comunidade "desenvolvem conjuntamente capacidades e recursos para controlar a sua situação de vida, agindo de forma comprometida, consciente e crítica, para alcançar a transformação do seu ambiente de acordo com as suas necessidades e aspirações, transformando-se ao mesmo tempo".
O que distingue a participação comunitária de outras formas de participação é o envolvimento de atores locais que mantêm relações de cooperação na busca de um objetivo comum. As discussões em torno da participação comunitária, entre outras questões, estão ligadas à capacidade dos protagonistas de gerar transformações reais por meio de sua influência nas agendas políticas locais. Dentro dessa estrutura, podemos perguntar: até que ponto os processos autogeridos são funcionais para o deslocamento do Estado ou podem contribuir para a construção da cidadania? A participação comunitária pode ser entendida como uma forma de consolidar, expandir ou aprofundar uma “democracia de proximidade”? (Annunziata, 2008; Schnapper, 2004). O uso indefinido do conceito, que o transforma em uma espécie de guarda-chuva sob o qual múltiplas formas de convergência social são abrigadas, levou à distinção de diferentes graus de participação (Arnstein, 1969; Hart, 1992; Novella e Trillas, 2001). A disciplina, portanto, se orienta para a discussão dos limites e do potencial da participação comunitária com base na análise de Uma experiência de gestão participativa em um centro comunitário em um bairro operário na Argentina.
AULA 1: GÊNERO, FEMINISMOS E METODOLOGIAS PARTICIPATIVAS PARA A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
Professora: Fernanda Palacios
Resumo conceitual da aula
O papel de liderança das mulheres na vida comunitária tem uma longa história e um percurso de experiência, aprendizagem e conhecimento acumulados, que vão desde iniciativas autogeridas por organizações sociais e territoriais e ativismo de base em organizações feministas e de mulheres, até iniciativas desenvolvidas por organizações, fundações, centros acadêmicos e outras organizações da sociedade civil e instituições locais. Essa amplitude de experiências e contextos apresenta desafios comuns que exigem atualizações conceituais e metodológicas contínuas.
O objetivo deste seminário é aproveitar a experiência de trabalho com uma perspectiva de gênero em nível comunitário, atualizando os marcos conceituais e metodológicos para aprimorar a eficácia e o impacto dessas experiências nos níveis local e comunitário. A interseção entre uma perspectiva de gênero, epistemologias feministas e abordagens metodológicas críticas baseadas em metodologias participativas busca gerar conhecimento coletivo orientado para a práxis transformadora e a integração do conhecimento acadêmico e comunitário para promover territórios mais justos, seguros e livres para as mulheres e meninas que neles vivem.
AULA 2: DESLIBERTAÇÃO: CRISE CLIMÁTICA E DEMOCRÁTICA NA AMÉRICA CENTRAL
Professora: Azucena Morán
Resumo conceitual da aula:
O seminário propõe uma análise da participação cidadã e da transição do deliberativo para o participativo na América Central, em face da atual crise democrática e climática. Nos concentraremos nas contradições e ambivalências que emergem, por exemplo, em Isso decorre da institucionalização do direito à consulta prévia, livre e informada (Convenção 169 da OIT) e da transição ecológica. Por um lado, há a criminalização de defensores ambientais e líderes indígenas, tentativas de corroer processos participativos autônomos e a guinada tecnocrática/profissionalização da governança coletiva. Por outro lado, há as implicações da extração de minerais críticos para a transição energética e a geração de energia renovável em zonas de sacrifício na América Central.
Embora a ênfase seja nas respostas atuais dos Estados-nação à crise climática e democrática da região, também dialogaremos com os sucessos dos movimentos sociais e da resistência coletiva, como a proibição da mineração de metais no Panamá. O seminário visa analisar criticamente as oportunidades, limitações e desafios envolvidos na implementação e replicação de processos participativos e deliberativos diante da atual crise climática e democrática, com base em experiências e histórias regionais. Investigaremos as crises climáticas e democráticas nos governos da Guatemala, Costa Rica e Panamá. A partir dessa análise, os alunos desenvolverão as habilidades necessárias para situar diversas experiências de governança deliberativa na região dentro de seus contextos sociais, históricos e políticos.
AULA 3: FACILITADORES EM PROCESSOS TERRITORIAIS PARA O DESENVOLVIMENTO DE CAPACIDADES. APOIO DO IADT PARA A TRANSFORMAÇÃO DIALÓGICA DOS TERRITÓRIOS
Professores: Romina Rébola e Pablo Costamagna
Resumo conceitual da aula
Na perspectiva do desenvolvimento territorial, os processos de apoio baseados na pesquisa-ação para o desenvolvimento territorial são experiências de diálogo, facilitação e participação que possibilitam a construção de capacidades individuais e coletivas intangíveis para a transformação territorial. Por meio de processos de capacitação e diálogo político institucional em nível territorial, os atores desenvolvem capacidades para a sustentabilidade dos espaços de encontro, o que lhes permite abordar problemas territoriais e cocriar soluções coletivas, aprofundando a democratização dos territórios por meio do diálogo e da participação. Nesse contexto, o papel dos facilitadores estimula e conecta o processo territorial, gerando dinâmicas de ação que empoderam os atores territoriais a tomar decisões.
Na perspectiva do Desenvolvimento Territorial, é vital facilitar processos que possam ser realizados por diversos indivíduos ou equipes para a transformação e sustentabilidade dos processos sociais, políticos, culturais e ambientais no território.
Este seminário visa destacar o papel dos facilitadores nas comunidades locais, dentro da estrutura metodológica da nossa experiência em apoio ao desenvolvimento territorial baseado em pesquisa-ação. Propõe-se compartilhar experiências e reflexões locais sobre essas práticas, bem como a importância de certas capacidades individuais e coletivas para a democratização dos processos locais.
- Igor Ahedo Gurrutxaga (Universidade do País Basco, Espanha)
- Rosa Ynés Alacio García (Universidade Autônoma da Cidade do México, México)
- Antônio Álvarez-Benavides (Faculdade de Justiça Criminal John Jay, Universidade da Cidade de Nova York)
- Luís Arnanz Monreal (Universidade Complutense de Madrid, Espanha)
- Pablo Costamagna (Instituto Praxis da Faculdade Regional de Rafaela da Universidade Tecnológica Nacional e da Universidade Nacional de Rafaela)
- Leonel Del Prado (Universidade da República, Uruguai)
- Victor Fernandez Gonzalez (Universidade Católica de Maule, Chile)
- Néstor Garcia (Universidade Complutense de Madrid, Espanha)
- Imanol Telleria (Universidade do País Basco, Espanha)
- Alicia Lissidini (Faculdade de Política e Governo da Universidade Nacional de San Martín, Argentina)
- Azucena Morán (Departamento de Democracia do Instituto de Pesquisa para a Sustentabilidade — Centro Helmholtz de Potsdam, Alemanha)
- Mercedes Oraison (Centro de Estudos Sociais – Universidade Nacional do Nordeste, Argentina)
- Jone Martinez-Palacios (Universidade do País Basco, Espanha)
- Fernanda Palacios Sepúlveda (Academia Universitária de Humanismo Cristão e Agenda de Sustentabilidade Energética, Chile)
- Romina Rébola (Instituto Praxis da Faculdade Regional de Rafaela, Universidade Tecnológica Nacional e Universidade Nacional de Rafaela, Argentina)
- Gisela Signorelli (Universidade Nacional de Rosário)
- Mariano Suárez Elías (Universidade da República, Uruguai)
- Alfonso Torres Carrillo (Universidade Pedagógica Nacional, Colômbia)
- Tomás R. Villasante (Fundação CREASVI, Espanha)
- Mario Zubiaga (Universidade do País Basco, Espanha)
|
Em um único pagamento até 31/03 |
Em um único pagamento após 31/03 |
Pagamento em 3 parcelas |
|
|
Centro de Membros Plenos ou Associados |
185 USD |
240 USD |
USD 315 (3 x USD 105) |
|
Sem link |
310 USD |
370 USD |
USD 540 (3 x USD 180) |
* Os residentes da Argentina pagarão o equivalente em pesos argentinos de acordo com a taxa de câmbio oficial do Banco de la Nación Argentina (BNA) no dia do pagamento.
Você precisa estar cadastrado no Sistema Único de Cadastro da CLACSO (SUIC) e inserir seu nome de usuário e senha. Se você não estiver cadastrado, clique aqui. aquiPara acessar o formulário de inscrição, você deve clicar no botão "Inscrever-se" na página do diploma de seu interesse.
Após a conclusão do processo de inscrição, você receberá uma confirmação por e-mail.
As aulas começarão em abril e terminarão em julho de 2025.
De 9 a 13 de junho de 2025 Nosso X Conferência Latino-Americana e Caribenha de Ciências Sociais em Bogotá, Colômbia. #CLACSO2025 (mais informação aquiPara garantir a participação de todos, planejamos uma pausa nas atividades de treinamento durante essa semana.
Todos os participantes inscritos receberão, no primeiro dia de atividades, as instruções necessárias para acessar as aulas, a bibliografia e os fóruns de discussão por meio do [inserir plataforma/plataforma]. Espaço de Treinamento Virtual CLACSO.
Acessar e navegar no Ambiente Virtual de Aprendizagem é muito simples e intuitivo. Em qualquer caso, uma equipe de suporte técnico e acadêmico estará sempre disponível. Para dúvidas, entre em contato pelo e-mail [inserir e-mail aqui]. [email protected]
Você deve enviar um e-mail com a solicitação para [email protected] Enviaremos o certificado solicitado assim que possível.
Critérios excepcionais: Em casos excepcionais e nos primeiros 20 dias de início do Diploma Superior, o aluno poderá escrever para [email protected] O pedido de cancelamento de matrícula deve ser feito mediante justificativa. Após avaliação do caso, uma resposta será enviada. Se aprovado, o aluno poderá retomar o programa de Diploma Superior caso uma nova turma seja formada no ano seguinte. Após decorrido esse período desde o início do curso, nenhum pedido será aceito.
O valor pago só será reembolsado nos casos em que as instituições organizadoras decidirem cancelar a atividade.
Sim, o diploma avançado é certificado pela CLACSO. O diploma será enviado digitalmente e é totalmente gratuito.
O pagamento pode ser feito em uma única parcela, por cartão de crédito ou transferência bancária. Também oferecemos a opção de pagamento em 3 parcelas.
Sim. Haverá descontos para estudantes pertencentes a Centros Membros da CLACSO e Centros Associados da CLACSO, para Pesquisadores Associados da CLACSO e para todos aqueles que pagarem dentro do período de desconto.
Você pode verificar se pertence a um centro de membros aqui:
O programa de Diploma Avançado integra uma dinâmica de aulas assíncronas e síncronas. As aulas são predominantemente assíncronas. O cronograma das sessões síncronas será comunicado pelo coordenador do Diploma no início do programa, e a participação nessas sessões não é um pré-requisito para a aprovação.
Aula aberta "Democracias contraditórias e processos participativos"
El Diploma Avançado em Perspectivas e Metodologias Participativas para o Aprofundamento Democrático Você é convidado(a) para a aula aberta: Democracias contraditórias e processos participativos.
Aula aberta: Democracias contraditórias e processos participativos
Professor: Tomás Rodríguez Villasante
Sexta-feira, 21 de março | 11h (ARG)
Consultas: WhatsApp: +54 9 11 3880-1388
E-mail: [email protected]