Diploma Avançado em Juventude: Desigualdades, Culturas e Políticas
3ª Turma | Modalidade Virtual
COORDENAÇÃO ACADÊMICA
Melina Vázquez (IIGG/CONICET, Argentina), Pablo Vommaro (CLACSO – CONICET, Argentina), Silvia HS Borelli (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil) e Maria Isabel Domínguez (Centro de Pesquisa Psicológica e Sociológica, Cuba)
CORPO DOCENTE
Melina Vázquez (IIGG/CONICET, Argentina) | Pablo Vommaro (CLACSO – CONICET, Argentina) | Silvia HS Borelli (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil) | Maria Isabel Domínguez (Centro de Pesquisa Psicológica e Sociológica, Cuba) | Mariana Chaves (CONICET – Universidade Nacional de La Plata, Argentina) | Sara Victoria Alvarado (CINDE/Universidade de Manizales, Colômbia) | João Romero (Universidade da República, Uruguai) | Liliana Mayer (CONICET, Argentina) | Rosa de Melo Rocha (ESPM, Brasil) | Rita, de Cássia Alves Oliveira (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil) | Lúcia Helena Vitalli Rangel (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil) | Maria Cláudia S. Paiva (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil) | Olivia Cristina Perez (UFPI, Brasil) | René Unda Lara (CINAJ, Equador) | José Antonio Pérez Islas (SIJ/Universidade Nacional Autônoma do México) | Diego Beretta (Universidade Nacional de Rosário, Argentina)
Formato virtual | Maio a setembro de 2023
A Rede de Estudos de Pós-Graduação em Infância e Juventude (Red INJU) e o Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Infância e Juventude propõem a criação de um Diploma Superior em Juventude para dar continuidade às oportunidades de formação que vêm sendo oferecidas há vários anos por meio da Especialização em Infância e Juventude, seminários virtuais, Escola Internacional de Estudos de Pós-Graduação, pesquisas conjuntas, publicações, Bienal Latino-Americana e Caribenha da Infância e Juventude e Programa de Pesquisa Pós-Doutoral em Ciências Sociais, Infância e Juventude.
Seu principal objetivo é construir conhecimento e fornecer alternativas de formação para impactar as narrativas e práticas sociais ligadas aos processos de cuidado, educação e inclusão social da juventude, nas políticas públicas e no reconhecimento de seus direitos de participação nos processos de construção da cultura e da ordem social e política em nossos países.
O curso será composto por cinco módulos e um total de 15 aulas ministradas por uma equipe docente e um grupo de professores convidados que buscam promover a troca de experiências e conhecimentos entre diferentes países da América Latina e do Caribe, resultando em um aprendizado útil e de qualidade para todos.
A persistente desigualdade estrutural nos diversos países da América Latina e do Caribe não foi revertida, apesar de alguns progressos, e as políticas neoconservadoras que reinstauram discursos relacionados à igualdade de oportunidades e ao progresso como responsabilidade individual são reforçadas.
Isso cria e reconfigura ciclos de desigualdade que geram violência e fragmentação social e simbólica, limitando a capacidade de reconhecimento e participação de diversos setores, particularmente os jovens, cujas circunstâncias não são apenas socioeconômicas, mas também relacionadas à etnia, gênero, orientação sexual, localização geográfica, condição de migrante, deficiência e outros fatores. A grande maioria dos jovens está imersa em dinâmicas relacionais assimétricas, onde são tratados como objetos passivos a serem controlados e moldados de acordo com as necessidades e os parâmetros das estruturas reconhecidas e ditadas pelo mercado. As políticas públicas não conseguem transcender essas estruturas e, em alguns países, observa-se o desmantelamento de políticas afirmativas e inclusivas anteriormente conquistadas.
Essas dinâmicas de socialização tendem a aumentar os fossos geracionais, que se tornam cada vez mais profundos nos âmbitos político e comunicativo, entre o passado, o presente e o futuro, rompendo com as expectativas compartilhadas de construção de horizontes de possibilidade diferentes da violência e da exclusão herdadas.
Apesar da complexidade do contexto atual, reconhece-se também que, na América Latina e no Caribe, diferentes formas de interação e ação social têm emergido entre os jovens, não apenas como uma resposta desafiadora ao mundo adultocêntrico, mas também como uma expressão de participação e organização coletiva que demonstra seu posicionamento como sujeitos políticos em diferentes territórios. As lutas sociais (ambientais, de gênero, antimilitaristas, artísticas e contraculturais, entre outras) em que os jovens participam revelam tendências que refletem conflitos dentro de um contexto nacional ou local específico, mas também causas compartilhadas e demandas comuns que transcendem fronteiras nacionais e regionais, por vezes vinculadas a padrões internacionais. Essas demandas requerem abordagens analíticas capazes de produzir explicações situadas que ajudem a superar condições e situações de injustiça e desigualdade. A pandemia de COVID-19, com seus efeitos não apenas na saúde, mas também nas esferas econômica, educacional, trabalhista e social em geral, criou um cenário em que as lacunas existentes foram reforçadas, com impactos muito particulares sobre os jovens, exigindo, ao mesmo tempo, um novo repertório de relações sociais para enfrentá-las.
Tudo o que foi mencionado acima exige que as questões sejam abordadas a partir de referenciais epistêmicos, teóricos e metodológicos que reconheçam a condição histórica, intersubjetiva, heterogênea, geradora e complexa da juventude; e que permitam propor ações transdisciplinares, transsetoriais e inter-regionais que reconheçam e garantam a participação dos jovens como agentes ativos.
OBJETIVOS GERAIS
Aproximar os alunos, a partir de uma perspectiva teórico-crítica, do conhecimento sobre a condição da juventude na América Latina e no Caribe, das experiências de trabalho, das organizações sociais, das políticas públicas e dos impactos da pandemia de COVID-19 no universo vivido pelos jovens.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
- Compreender a situação da juventude na América Latina e no Caribe a partir de perspectivas teóricas que respondam às epistemologias críticas e aos quadros de realidade nos quais seus significados de existência são contestados.
- Socializar abordagens teórico-conceituais para a análise das desigualdades e da violência entre jovens a partir de uma perspectiva geracional e sua manifestação em espaços institucionais.
- Contribuir para a construção de uma perspectiva crítica das narrativas hegemônicas e midiáticas sobre a juventude a partir de uma visão epistemológica de descolonização e do reconhecimento das práticas, vozes e experiências juvenis.
- Contribuir para a compreensão e abordagem das transformações nas formas de participação, ativismo, ação coletiva e produção estética, cultural e comunicativa dos jovens, a partir de uma perspectiva social e histórica.
- Incentivar a reflexão sobre o papel do Estado e a implementação de políticas públicas, bem como fortalecer a ligação entre conhecimento e política no âmbito da juventude.
O Diploma Superior em Juventude: Desigualdades, Culturas e Políticas destina-se a estudantes de graduação e pós-graduação; professores de todos os níveis; ativistas e membros de sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos; funcionários públicos; membros e gestores de organizações não governamentais e profissionais interessados no tema.
- Melina Vázquez (IIGG/CONICET, Argentina)
- Pablo Vommaro (CLACSO – CONICET, Argentina)
- Silvia HS Borelli (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil)
- Maria Isabel Domínguez (Centro de Pesquisa Psicológica e Sociológica, Cuba)
- Mariana Chaves (CONICET – Universidade Nacional de La Plata, Argentina)
- Sara Victoria Alvarado (CINDE/Universidade de Manizales, Colômbia)
- João Romero (Universidade da República, Uruguai)
- Liliana Mayer (CONICET, Argentina)
- Rosa de Melo Rocha (ESPM, Brasil)
- Rita, de Cássia Alves Oliveira (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil)
- Lúcia Helena Vitalli Rangel (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil)
- Maria Cláudia S. Paiva (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil)
- Olivia Cristina Perez (UFPI, Brasil)
- René Unda Lara (CINAJ, Equador)
- José Antonio Pérez Islas (SIJ/Universidade Nacional Autônoma do México)
- Diego Beretta (Universidade Nacional de Rosário, Argentina)
O programa consiste em 5 módulos de 3 aulas semanais, cada uma ministrada consecutivamente e interligada às demais.
carga de trabalho ttotal de 128 horas.
Os módulos que compõem o diploma avançado são:
Coordenação: Dr. Pablo Vommaro
CLASSE 1: Jovens, juventude, juventude e gerações. Perspectivas teóricas e abordagens metodológicas.
Professor: Dr. Pablo Vommaro
Esta disciplina apresentará as principais perspectivas para estudar, interagir e trabalhar com jovens a partir das ciências sociais e humanas. Serão discutidas as perspectivas biológica, sociodemográfica, social e de moratória da vida, bem como as perspectivas do ciclo de vida. Além disso, serão exploradas as contribuições das perspectivas geracionais e sua relevância para abordar os jovens por meio do reconhecimento, da escuta e da visibilidade.
AULA 2: A juventude como objeto de conhecimento: abordagens da sociologia e da antropologia do século XX
Professor: Dra. Mariana Chaves
A emergência da juventude como tema e problema social nas ciências sociais e comportamentais é um produto da modernidade. A partir desse processo, diferentes abordagens e respostas foram exploradas em relação à caracterização da juventude. As primeiras conceitualizações no Hemisfério Norte vieram da psicologia, que fundamentou suas ideias em pressupostos biológicos e universalistas, entrando posteriormente em controvérsia com os desenvolvimentos da antropologia a partir de uma perspectiva relativista e particularista. Estudos de diferentes culturas e sociedades focaram na organização por classes ou faixas etárias, revelando a natureza sociocultural do conceito de idade por meio de etnografias da África, Ásia, Oceania e Américas. A sociologia gerou ricos debates sobre o papel da juventude na história e na estrutura social, tornando-se a disciplina mais preocupada com o estudo da juventude no século XX. Ela construiu estruturas interpretativas que, por um lado, elogiavam a reprodução social e, por outro, a criticavam e se concentravam na transformação das sociedades.
Dessa forma, reconheceu-se a importância dos aspectos simbólicos, culturais, históricos, de classe, geracionais e de gênero para abordar a juventude a partir de diferentes perspectivas, ampliando, assim, o ponto de vista. De fato, a incorporação de mais e novas dimensões na análise mostrou, por um lado, que a natureza múltipla e complexa do objeto/sujeito de estudo implicava abandonar as referências à juventude como um sujeito homogêneo e, em vez disso, abraçar a importância de interpretar a juventude no plural.
CLASSE 3: Mudanças epistemológicas e metodológicas na pesquisa em ciências sociais e suas lições no campo da juventude.
Professor: Dra. Sara Victoria Alvarado
Os problemas relacionados ao trabalho das ciências sociais são diferentes hoje em dia. Se há cinquenta anos o desafio mais importante era superar o dogmatismo de uma visão dominante e unilateral da ciência, o desafio atual consiste em compreender e apropriar-se das diversas abordagens epistemológicas, gnoseológicas, metodológicas e práticas que a filosofia, a epistemologia, as disciplinas, a arte e as várias formas de conhecimento apresentam, a fim de enfrentar o desafio de expandir a compreensão do mundo social, cultural e político em que vivemos. Este desafio radical exige que submetamos nosso pensamento e nossa atitude na prática da ciência à autocrítica. Rever e superar preconceitos como a crença em uma única verdade, ou o que Steiner chama de nostalgia pelos absolutos, que nos impedem de ter a capacidade de escutar a partir do pluralismo e da inter e transdisciplinaridade. As mudanças epistemológicas nas Ciências Sociais reconhecem que a empreitada moderna/colonial das ciências sociais faz parte de um processo estruturalmente relacionado à expansão da economia-mundo europeia em sua busca por se estabelecer como um sistema-mundo global. Essa empresa concentrou e continua a concentrar sua pesquisa na ordem e no controle da estrutura social. Para tanto, essas ciências sociais desenvolveram diferentes teorias, conceitos, metodologias e disciplinas que lhes permitiram, por um lado, institucionalizar a visão especializada da vida social e, por outro, assumir o distanciamento entre sujeitos e objetos, a fim de garantir uma compreensão mais competente dos fenômenos sociais. Além disso, possibilitaram o estabelecimento de um tipo de conhecimento que naturalizou e justificou as relações de dominação entre a Europa Ocidental (incorporando os Estados Unidos durante o século XX) e o resto do mundo, e que gerou e ampliou uma ideia universal e linear da história, através da qual os europeus se imaginaram e se relacionaram com o resto do mundo como se fossem o princípio e o fim da humanidade, confinando os outros a viver em zonas não humanas, marginalizados de qualquer possibilidade de reconhecimento e diálogo. De acordo com o exposto acima, nesta disciplina, partimos do pressuposto de que a constituição, o desenvolvimento e a expansão das ciências sociais estão relacionados aos contextos geopolíticos e às mudanças das sociedades, bem como à configuração de questões como identidades e subjetividades, entre outras. Por outro lado, aceitamos que as alternativas para as estratégias de reestruturação na produção de um Outro conhecimento implicam deslocamento e ruptura epistemológica como marcas de criação e ação. Não se trata mais apenas de compartilhar determinados métodos de pesquisa ou aplicar métodos mistos, quantitativos e qualitativos. Em vez de aceitar a complexidade, trata-se de romper com a rigidez das posições epistemológicas paradigmáticas: objetivismo, subjetivismo e construtivismo. Nesse sentido, a disciplina busca dois objetivos: por um lado, compreender as principais mudanças epistêmicas que geraram práticas de pesquisa situadas e, por outro, analisar o significado dessas mudanças em termos de aprendizado para os estudos da juventude.
Coordenação: Dra. María Isabel Domínguez
CLASSE 4: Abordagens para analisar as desigualdades a partir de uma perspectiva interseccional: gerações, gêneros e formas persistentes de produção e reprodução das desigualdades.
Professor: Dra. María Isabel Domínguez
As desigualdades e seu impacto na inclusão social manifestam-se de maneiras diferentes entre as gerações, com efeitos particularmente severos sobre crianças e jovens. Suas expressões são multifacetadas, abrangendo não apenas disparidades econômicas, mas também fatores sobrepostos como gênero, orientação sexual, localização geográfica, etnia, cultura, nível de escolaridade e migração, entre outras dimensões. A complexidade desse problema desafia a pesquisa social a abordar a desigualdade inter e intrageracional a partir de uma perspectiva interseccional. Essa abordagem visa compreender os processos de produção e reprodução das desigualdades na infância e adolescência, sua interseção com outras afiliações ou condições sociais, e os espaços e políticas que contribuem para reduzir ou reforçar essas desigualdades. As desigualdades econômicas e sociais e a falta de condições reais para alcançar a inclusão social equitativa são expressões dos problemas estruturais que assolam a região. Esses problemas se agravaram no contexto da pandemia de COVID-19, que evidenciou a natureza dessas desigualdades e a severidade de seu impacto em diversos setores da juventude. Para esses jovens, as condições da própria doença, os confinamentos e suas consequências nas esferas educacional, laboral e de saúde agravaram suas circunstâncias já precárias. Este curso visa abordar a questão das desigualdades que afetam crianças e jovens sob diferentes perspectivas, utilizando uma variedade de abordagens e uma visão multissetorial. Isso contribuirá para a conceitualização dos processos envolvidos, não apenas para gerar conhecimento que permita uma melhor compreensão do fenômeno, mas também para contribuir para a formulação de políticas públicas, estratégias de intervenção social e apoio a iniciativas que visem garantir que os direitos de crianças e jovens não sejam violados.
AULA 5: Igualdade e desigualdade nos processos escolares: produção e reprodução nas escolas em nível regional
Professor: Dra. Liliana Mayer
Desde a década de 1990, os sistemas educacionais da região passaram por profundas transformações que resultaram em novas legislações educacionais. Essas modificações visavam — e ainda visam — ampliar os compromissos educacionais dos Estados-nação, particularmente no que diz respeito à expansão da cobertura e à extensão do acesso universal ao ensino secundário. Essas reformas produziram resultados mistos, em parte porque os Estados partiram de pontos de partida muito diferentes. Além dos impactos positivos, a universalização e a massificação da escolarização, centradas na inclusão, não conseguiram combater, muito menos eliminar, o papel dos sistemas educacionais na produção e reprodução das desigualdades. Em vez disso, fomentaram o surgimento de “novas desigualdades” ligadas à formação de processos de fragmentação e/ou segmentação educacional (dependendo do contexto nacional) e processos de inclusão excludente, frequentemente promovidos por agências estatais.
Nesse sentido, a disciplina visa contribuir para o debate sobre as desigualdades na América Latina e no Caribe, a coexistência no campo educacional de desigualdades antigas e novas: a expansão das taxas de cobertura do ensino médio e o aumento das possibilidades de acesso ao ensino superior, ao lado da persistência de desigualdades que assumem diferentes formas, que se referem, por exemplo, aos diferentes circuitos e ofertas educacionais em cenários diversificados.
CLASSE 6Juventude, mercado de trabalho e desigualdade social
Professor: Dr. Juan Romero
Na América Latina, a região mais desigual do mundo, os índices das principais expressões de desigualdade nos países da região, além de sua persistência, mostram um aprofundamento crescente que vem se intensificando década após década (López Segrera, 2016). Analisar esse problema exige considerar, por um lado, a dinâmica de produção dessas desigualdades e, por outro, as consequências que elas geram, particularmente para crianças e jovens. Dá-se ênfase aos processos que geram desigualdades, refletindo sobre suas formas e conteúdo, que moldam a estrutura econômica de nossas sociedades. Por outro lado, essa abordagem analítica implica considerar as desigualdades como um processo constitutivo da sociedade, em que sua distribuição entre gerações não é simétrica, mas recai mais fortemente sobre os jovens.
É importante refletir sobre as transformações nos processos de trabalho e produção-tecnológicos da produção agrícola e seus impactos no espaço social rural e nas condições de emprego, especialmente entre os assalariados rurais, a partir de uma perspectiva geracional. Para tanto, incorpora-se o texto de Romero, J. (2022), que propõe essa linha de análise. Nesse sentido, inclui-se como primeira leitura o texto de Enrique de la Garza Toledo sobre estudos do trabalho na América Latina, para analisar o desenvolvimento desses estudos e a configuração dos diferentes marcos conceituais no continente.
Além disso, e de forma complementar, analisaremos o lugar e o espaço da juventude a partir de algumas das perspectivas conceituais oferecidas pelas categorias de urbano e rural em relação à desigualdade na América Latina e no Caribe. Recorremos à ideia antropológica de que o lugar de um elemento constitui uma posição objetiva e única em relação a outros elementos situados em um determinado campo (Duch, 2002). A espacialidade, por sua vez, constitui uma geometria dinâmica que se configura de acordo com as forças que interagem em questões de disputa. Essa dupla perspectiva, a partir das inter-relações urbano-rurais, contribuiria para o estudo da infância e da juventude como objetos situados em um momento histórico específico, por um lado, e como processos dinâmicos que se reconfiguram constantemente como parte de processos gerais mais amplos, por outro.
Isso está ligado à análise das transformações urbano-rurais vivenciadas pela tripla articulação da expansão do urbano para o rural, as novas ruralidades e as misturas entre o urbano e o rural ou processos de “rurbanização” (Unda Lara RL, 2013), nos quais não apenas o urbano permeia e reconfigura a ruralidade, mas esse fenômeno também opera de forma inversa, fazendo com que certas práticas típicas do rural sobrevivam, inclusive apresentando sinais de mudança e readaptação.
Nesse sentido, a disciplina propõe uma análise reflexiva das informações disponíveis sobre as principais formas de desigualdade que afetam mais diretamente crianças e jovens urbanos e rurais, dentro do contexto mais amplo da produção global de desigualdades e suas especificidades em contextos particulares. Para tanto, contudo, é necessário situar a produção de desigualdades no contexto geral da sociedade de mercado contemporânea, com seus múltiplos e complexos cenários, com o objetivo claro de considerar essa questão a partir de uma perspectiva estrutural, ainda que frequentemente subestimada, sobre a relação entre desigualdade e crescimento econômico. Como aponta José Sánchez-Parga em seu texto “Sem (crescente) desigualdade não há crescimento econômico”, publicado pela revista peruana Socialismo y Participación em 2005, a partir de uma perspectiva marxista crítica, ele demonstra a validade e a relevância dessa abordagem para explicar e compreender não apenas as amplas possibilidades de crescimento econômico que pressupõem a existência de desigualdade, mas também a própria desigualdade como produto do crescimento econômico no contexto da crescente mercantilização da economia, das transformações no(s) mercado(s) de trabalho e das relações sociais em geral.
É importante, portanto, fomentar a discussão sobre as desigualdades a partir da perspectiva da produção social da juventude como categorias que carregam concepções e representações que possibilitam a compreensão de diversas assimetrias sociais. Além dos textos, dois vídeos e a bibliografia servem como "gatilhos" para a reflexão sobre o tema. Este material não pretende substituir, mas sim complementar, a análise com ferramentas conceituais. Os participantes devem familiarizar-se com os referenciais teóricos presentes nos textos antes ou depois da sessão. Metodologicamente, esta aula foi concebida como um espaço para análise, reflexão e elaboração de propostas que cada participante desenvolve a partir das leituras selecionadas. Assim, a diversidade inerente à turma, materializada em suas variadas formações acadêmicas, profissionais, regionais e territoriais, oferece um cenário promissor para o enriquecimento mútuo.
Coordenação: Dra. Silvia HS Borelli
AULA 7: Ativismo juvenil, cultura e resistência: a estética e a pandemia como observatórios do social.
Professores: Dra. Silvia Helena Simões Borelli e Prof.ª Dra. Rose de Melo Rocha
O objetivo é analisar o ativismo juvenil latino-americano, partindo de algumas de suas experiências estéticas de resistência articuladas a questões culturais e sociais, como violência e marcadores de gênero. O referencial teórico alinha-se a perspectivas decoloniais e vincula-se à tradição de pesquisa latino-americana focada nas formas de apresentação e presença lideradas por jovens atores. Bibliografias relacionadas à articulação entre estética e política, bem como aquelas produzidas por dissidentes de gênero latino-americanos, africanos e afro-caribenhos, também são tomadas como núcleo de reflexão. A emergência da pandemia de COVID-19 também é considerada um marcador reflexivo, pois evidencia tanto o apoio de regimes necropolíticos contemporâneos quanto a escala e a visibilidade das reconfigurações na relação entre comunicação, cultura e política na atualidade. Como contribuição específica deste curso, exploramos as possíveis ações e reconfigurações de campos, instituições e práticas comunicativas para atuar de forma propositiva e crítica em contextos extremos.
Embora a pandemia tenha se apresentado como uma ameaça para todos os seres humanos, sabemos que a forma como cada governo e cada organização comunitária busca lidar com a crise acentuará — em maior ou menor grau — os mecanismos de desigualdade já existentes. Como, por exemplo, podemos garantir a proteção de grupos marginalizados em países como o Brasil se tantas políticas públicas inclusivas foram desmanteladas no último ano? Como podemos proteger crianças, adolescentes, jovens e idosos? Negros e indígenas? Pessoas LGBTQI+? Imigrantes e refugiados? Famílias em situação de rua?
CLASSE 8: Desigualdades e violência contra jovens negros e indígenas
Professores: Rita de Cássia Oliveira e Lúcia Helena Rangel
O contexto latino-americano serve de base para a compreensão de dois espaços sociais e culturais para a juventude, que reservam um espaço muito importante para a juventude negra e indígena. Às vezes concebidas como minorias, às vezes consideradas maiorias, dependendo do lugar e da situação em que se encontram; essas populações têm em comum o apoio ao empreendimento colonial como escravas e, em nenhum caso, como indígenas, acrecentemente se veem como saqueadas e expropriadas de suas terras. Essa condição social se forma a partir da violência que agora as aflige. De fato, os países do continente americano não foram superados pela mentalidade colonial escravista, nem mesmo pelas práticas expropriatórias. A promoção do ódio contra essas populações é sustentada nas sociedades, e a raiva assume formas de violência física, moral, cultural, religiosa e econômica, tanto em contextos rurais quanto urbanos. São populações tratadas como se tivessem culpa por sua condição. Ou seremos pobres, com menos escolaridade, com nossas próprias crenças religiosas, com línguas estrangeiras ou mesmo com características típicas que compõem seres desprezados. Embora ao longo de décadas (1960-2023) tenham conquistado direitos e se tornado diversos em suas expressões culturais e intelectuais, eles continuam livres de racismo e desprezo.
Os jovens das carreiras atuais carregam consigo sua herança e ainda precisam se proteger, mesmo tendo alcançado o sucesso. O fato é que um número crescente de jovens negros e indígenas continua sendo assassinado, pois permanecem na mira de armas brancas, sob suspeita de crimes e com penas de prisão. Pretendemos trabalhar nesta disciplina essas situações de violência a partir da perspectiva da necropolítica, abordando as formas de violência que prevalecem em contextos sociais específicos. A análise será feita como ponto de partida para a sociedade brasileira e, na medida do possível, comparada a outras realidades.
CLASSE 9: Juventude, migração e deslocamento.
Professores: Dra. Silvia HS Borelli e Sra. María Claudia S. Paiva
Um dos pilares fundamentais para definir o contexto da globalização (Appadurai, 2004) está ancorado nos fluxos migratórios contínuos e crescentes que atravessam continentes, desterritorializam comunidades e grupos populacionais, criam dimensões espaço-temporais, ampliam o número de excluídos e se tornam uma questão prioritária na agenda contemporânea. Imagens e pessoas circulam e estão em movimento; afetos, poder e medos são compartilhados; experiências são sentidas; mundos são imaginados (Anderson, 2008) e recriados por meio de significados interculturais (García Canclini, 2004). Os processos vivenciados durante os momentos de deslocamento (Valenzuela Arce, 2019) permeiam a vida daqueles que migram e chegam a um destino, além de impactar aqueles que já estão lá. Trata-se de experiências sociais, culturais e políticas distintas, porém compartilhadas, que se entrelaçam em diferentes cantos e territórios do mundo. A proposta para esta disciplina está ligada aos seguintes objetivos: a) Compreender – com base em referências históricas, políticas e culturais – as formas como jovens imigrantes transformam espaços, lugares e territórios e confrontam contextos de estigma, exclusão e desigualdade social; b) Considerar as formas como esses indivíduos vivenciam as múltiplas facetas que compõem suas experiências – pessoais e coletivas – em contextos de deslocamento humano; c) Analisar as ações coletivas de jovens e grupos juvenis inseridos na vida metropolitana, bem como seus modos de ser, existir e agir diante das inúmeras fronteiras – materiais e simbólicas – impostas ao seu cotidiano; d) Identificar, nas agendas e diretrizes migratórias, as lutas por reconhecimento, representação, visibilidade e equidade no enfrentamento da xenofobia, racismo, classismo, violência geracional e de gênero, feminicídios, assassinatos de jovens, crimes de ódio, homofobia e transfobia. Com base na experiência e nas ações de quatro grupos de jovens imigrantes na cidade de São Paulo – Sarau das Américas, Visa Permanente, Equipo Base Warmis-Convergencia de Culturas e Muxima en la Diáspora – propomos uma reflexão sobre as condições de vida de jovens migrantes em diferentes contextos latino-americanos.
Coordenação: Dra. Melina Vázquez
CLASSE 10: História da participação política juvenil (entre a década de 50 e o presente)
Professor: Dra. Melina Vázquez
O objetivo desta disciplina é traçar a genealogia da mobilização política, explorando as razões sociológicas pelas quais, a partir das décadas de 60 e 70, diferentes grupos e coletivos começaram a desenvolver formas de participação definidas como “juvenis”. Começamos por reconhecer a “juventude” não como um atributo das pessoas que participam, mas sim como uma categoria política.
A proposta é abordar um evento histórico que marca, internacionalmente, a emergência da juventude na vida política: 1968. Mais do que apenas um ano, 68 pode ser interpretado como um marco na politização, marcando o nascimento de movimentos sociais e processos de mudança social em todo o mundo. O objetivo desta disciplina é reconstruir os efeitos desse marco e a confirmação da chamada "geração de 68" por meio do estudo da relação entre juventude e política na América Latina e no Caribe.
CLASSE 11: Concepções de inclusão social em grupos sociais
Professor: Dra. Olivia Cristina Perez
A disciplina proposta abordará organizações sociais contemporâneas denominadas e compreendidas como coletivos sociais. Exploraremos as causas desses coletivos, que geralmente giram em torno da inclusão de grupos mais expostos à opressão social, como jovens, mulheres, pessoas negras e a população LGBTQIA+ — tanto individualmente quanto em sua interseccionalidade. Essas diretrizes revelam novas compreensões sobre as desigualdades sociais que devem ser minimizadas por meio da inclusão desses grupos em todas as decisões coletivas. Ao buscar essa inclusão, os coletivos valorizam a horizontalidade e a autonomia em seus processos decisórios. A disciplina refletirá, então, sobre organizações sociais contemporâneas que emergem de mobilizações e contribuem para elas, as quais geralmente expressam críticas à prática política na arena política.
AULA 12: Mobilização Política, o Estado e a Juventude. Pós-neoliberalismo, pós-progressismo e a pandemia.
Professor: Dr. René Unda Lara
No alvorecer do século XXI, a América Latina testemunhou uma série de eventos que, entre suas características mais significativas, colocaram no centro do conflito social as múltiplas disputas entre um modelo neoliberal cada vez mais desafiado e os esboços iniciais do que, ao longo daquela primeira década, foi denominado progressismo. Esse termo se referia a um ciclo político cujas formas de governo orientavam suas principais propostas para a recuperação da esfera pública e o estabelecimento da redistribuição de renda como pedra angular de sua governança. As sucessivas vitórias eleitorais de organizações políticas definidas como progressistas na Venezuela, Brasil, Bolívia, Paraguai, Chile, Equador e Uruguai representaram conquistas que, em grande medida, resultaram da mobilização política de amplos setores da população. O processo de reconfiguração do Estado em cada um desses países implicou, entre outras coisas, um papel significativo dos setores da juventude na consolidação desse estado de coisas, bem como um conflito persistente com os setores que foram afastados da liderança hegemônica do Estado. O conflito sociopolítico entre forças progressistas e setores de oposição resultou na reeleição de governos de direita, como ocorreu no Paraguai, Brasil, Argentina, Equador, Chile e Uruguai. Durante esse período de renovação das políticas neoliberais, a mobilização social se intensificou e, com exceção da Argentina — onde o progressismo retornou ao poder após a vitória eleitoral —, os protestos tornaram-se centrais para a dinâmica do conflito político, que foi posteriormente freado pelo início da pandemia. De modo geral, esse cenário se apresenta no âmbito do qual esta disciplina pretende analisar a dinâmica da mobilização política na região e as formas específicas que ela assume em cada país, como expressão de suas configurações socioestatais singulares. Dentro dessa rede de relações, é importante examinar as diversas formas de participação política juvenil em suas dimensões atitudinais e comportamentais, incluindo as formas de ação coletiva mobilizadas no contexto da pandemia.
Coordenação: Dra. Melina Vázquez e Dr. Pablo Vommaro
AULA 13: Juventude e regulamentações socioestatais na pandemia
Professores: Dra. Melina Vázquez e Dr. Pablo Vommaro
Desde o início da pandemia, tornou-se evidente a importância dos Estados-nação no enfrentamento da crise sanitária e seus efeitos sociais, econômicos e políticos. Contudo, as abordagens adotadas em cada país da América Latina e do Caribe apresentaram diferenças substanciais. O objetivo deste curso é analisar as formas de intervenção socioestatal desenvolvidas em diferentes países da região, explorando em que medida essas ações incorporam uma perspectiva geracional em sua concepção e implementação. Em outras palavras, propomos analisar se as formas de regulação da crise reconhecem, por um lado, os jovens como um grupo social específico e, por outro, se abordam as heterogeneidades que permeiam esse grupo social.
AULA 14: Da Tutela ao Direito ao Futuro. Trajetórias, Controvérsias e o Efêmero das Políticas Públicas para a Juventude
Professor: Dr. José Antonio Pérez Islas
Será feita uma revisão histórica e conceitual do significado das diversas concepções de políticas públicas nos estados latino-americanos e suas implicações. Consequências para as populações jovens. A transformação dos desafios será discutida. enfrentando as demandas dos jovens e as disputas e possibilidades do atual Serão destacadas as diretrizes políticas, enfatizando as vantagens de uma concepção baseada no conceito de ação pública. A discussão concluirá com os desafios que se apresentam na primeira metade do século XXI. Serão abordadas as seguintes questões: O que é uma política para a juventude? De os Modelos históricos a modelos atuais; De abordagens e práticas; O transformações de mundos juvenis paradoxais; As direções do Políticas públicas; Ação pública no campo da juventude; O futuro do direito para o futuro.
AULA 15: Questões da juventude na agenda pública: organizações e políticas para a juventude
Professor: Senhor Diego Beretta
Resumo conceitual da aula
Este curso visa reconstruir e analisar o processo de construção de políticas públicas que abordam questões da juventude, um processo que envolve diversos atores que contribuem com suas perspectivas, interesses e recursos. Dentro dessa estrutura, o curso se concentrará particularmente nas posições assumidas pelo Estado, na influência de organizações internacionais e nos atores da sociedade civil; suas interações, negociações, lutas e disputas em torno das questões da juventude. Busca-se também discutir e explorar abordagens, perspectivas e orientações para intervenções socioestatais com e por jovens, com base em uma análise situada e contextual de experiências de organizações e políticas voltadas para a juventude na América Latina e no Caribe. Será dada especial atenção aos mecanismos de implementação de políticas a partir de uma perspectiva multiescalar, intergovernamental e participativa.
| Em um único pagamento até 22/05 | Em um único pagamento após 22/05 | Pagamento em 3 parcelas | |
| CM Pleno | 175 USD | 230 USD | USD 315 (3 x USD 105) |
| Associado de CM | 300 USD | 360 USD | USD 540 (3 x USD 180) |
| Sem link | 300 USD | 360 USD | USD 540 (3 x USD 180) |
Para participar, você deve se inscrever usando o formulário online clicando aqui. As inscrições estarão abertas de 6 de março a 29 de maio de 2023.
Após a conclusão do processo de inscrição, você receberá uma confirmação por e-mail.
As aulas começarão em maio e terminarão em setembro de 2023.
Todos os participantes inscritos receberão as instruções necessárias para acessar as aulas, a bibliografia e os fóruns de discussão por meio do Espaço de Treinamento Virtual da CLACSO.
Acessar e navegar no Ambiente Virtual de Aprendizagem é muito simples e intuitivo. Em qualquer caso, uma equipe de suporte técnico e acadêmico estará sempre à sua disposição.
Critérios excepcionais: Em casos excepcionais, e dentro do primeiro mês de início do programa de Diploma Avançado, os alunos podem solicitar o desligamento da turma e retornar no ano seguinte. Em todos os casos, os motivos da solicitação devem ser apresentados por escrito. Após decorrido esse período desde o início do curso, nenhum pedido será aceito.
O valor pago só será reembolsado nos casos em que as instituições organizadoras decidirem cancelar a atividade.
| Em um único pagamento até 22/05 | Em um único pagamento após 22/05 | Pagamento em 3 parcelas | |
| CM Pleno | 175 USD | 230 USD | USD 315 (3 x USD 105) |
| Associado de CM | 300 USD | 360 USD | USD 540 (3 x USD 180) |
| Sem link | 300 USD | 360 USD | USD 540 (3 x USD 180) |
O pagamento pode ser feito em uma única parcela por cartão de crédito, depósito bancário ou transferência bancária. Também oferecemos a opção de pagamento em 3 parcelas.
Sim. Haverá descontos para estudantes pertencentes a Centros Membros da CLACSO e Centros Associados da CLACSO, para Pesquisadores Associados da CLACSO e para todos aqueles que pagarem dentro do período de desconto.
Consultas: WhatsApp: +54 9 11 3880 – 1388
E-mail: [email protected]