26 de agosto, 2019

Amazônia em chamas

O aumento das queimadas na Amazônia é resultado da criminosa política de destruição ambiental do governo Bolsonaro que motivou, inclusive, a criação do Dia do Fogo pelos latifundiários, madeireiros e empresários do agronegócio.

2019 ficará conhecido como o ano da destruição. A multiplicação do número de incêndios na floresta amazônica causou impacto em escala global, provocando a reação de governos e organizações da sociedade em diversos países.

A fumaça das queimadas chegou até às cidades do Sudeste do Brasil, escurecendo a metrópole de São Paulo. Grande parte das áreas urbanas da Amazônia foram afetadas por este gigantesco crime ambiental.

A expansão das áreas agrícola e pecuária tem sacrificado inúmeras espécies da fauna e flora da região amazônica para beneficiar os lucros do agronegócio, mediante o aumento da produção de commodities destinadas aos mercados da América do Norte, Europa, Oriente Médio, China e Japão.

Com a maior participação do sistema financeiro nos sistemas agrícola e pecuário, este complexo de sistemas denominado agronegócio aprimorou e ampliou seu poder devastador, tornando-o um dos modelos mais predadores do capitalismo neoliberal.

No Brasil, a aliança dos latifundiários e empresários do agronegócio ampliou seu poder com a eleição do governo Bolsonaro e passaram a tratar de modo irresponsável, mesquinha e criminosa a questão ambiental, baseados em interesses de corporações capitalistas.

Os latifundiários utilizam as queimadas para ampliar a fronteira agrícola, aumentar o estoque de terras para especulação e intensificar a concentração da terra. Esse processo predatório atende às ambições do neoextrativismo mineral e agropecuário.

A reação internacional às queimadas também demonstra o poder hegemônico da aliança latifundiários e empresários do agronegócio que domina tanto governos conservadores quanto os progressistas. Este poder determina os megaprojetos do modelo de desenvolvimento agrícola e mineral, que pode ser mais ou menos ofensivo de acordo com a tendência política do governo.

O governo Bolsonaro com sua política neoliberal abriu todas as possibilidades de exploração dos recursos naturais ao agronegócio, latifundiários e mineradoras. Aprovou o uso de dezenas de tipos de agrotóxicos, e tem incentivado a exploração de territórios indígenas, camponeses e quilombolas.

O ministro do Meio Ambiente afirmou que a Amazônia precisa de “soluções capitalistas” que gerem renda para cerca de vinte milhões de pessoas que vivem na região. Ele critica a criação das áreas de preservação e considera as leis ambientais restritivas. De fato, não será do governo Bolsonaro que virão soluções para reverter o aumento do desmatamento na Amazônia.

O governo Bolsonaro ignora as concepções de desenvolvimento dos povos indígenas e camponeses que entende e respeita a natureza e a sociedade e cuja prioridade é assegurar condições dignas de vida à população e promover a preservação da Amazônia.

Bernardo Mançano Fernandes – Universidade Estadual Paulista (UNESP) e Mônica Dias Martins – Universidade Estadual do Ceará (UECE) são representantes do Brasil no Comitê Diretivo do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (CLACSO)


AMAZONIA EN LLAMAS

El aumento de los incendios forestales en la Amazonia es el resultado de la política criminal de destrucción ambiental del gobierno de Jair Bolsonaro, que también condujo a la creación de una Jornada de Incendios por parte de terratenientes, madereros y empresarios de la agroindustria.

2019 será conocido como el año de la destrucción. La multiplicación del número de incendios en la selva amazónica ha tenido un impacto a escala mundial, provocando la reacción de gobiernos y organizaciones de la sociedad en varios países.

El humo de los incendios llegó a las ciudades del sudeste de Brasil, oscureciendo la metrópoli de São Paulo. La mayoría de las áreas urbanas de la Amazonia han sido afectadas por este gigantesco crimen ambiental.

La expansión de las áreas agrícolas y ganaderas ha sacrificado innumerables especies de fauna y flora en la región amazónica para beneficiar las ganancias de los agronegocios, al aumentar la producción de productos básicos para los mercados de América del Norte, Europa, Oriente Medio, China y Japón.

Con la mayor participación del sistema financiero en los sistemas agropecuarios, este complejo de sistemas llamado agronegocio ha mejorado y ampliado su poder devastador, convirtiéndolo en uno de los modelos más depredadores del capitalismo neoliberal.

En Brasil, la alianza de terratenientes y empresarios agroindustriales amplió su poder con la elección del gobierno de Bolsonaro y comenzó a tratar de manera irresponsable, mezquina y criminal los temas ambientales, basándose en los intereses de las corporaciones capitalistas.

Los terratenientes utilizan los incendios para ampliar la frontera agrícola, aumentar la reserva de tierras para la especulación e intensificar la concentración de la tierra. Este proceso depredador responde a las ambiciones del neoextractivismo mineral y agrícola.

La reacción internacional a los incendios también demuestra el poder hegemónico de la alianza de terratenientes y empresarios agroindustriales que domina tanto a los gobiernos conservadores como a los progresistas. Este poder determina los megaproyectos del modelo de desarrollo agrícola y minero, que pueden ser más o menos ofensivos según la tendencia política del gobierno.

El gobierno de Bolsonaro, con su política neoliberal, ha abierto todas las posibilidades de explotación de los recursos naturales a los agronegocios, terratenientes y empresas mineras. Ha aprobado el uso de decenas de tipos de plaguicidas y ha fomentado la explotación de territorios indígenas, campesinos y quilombolas (afrodescendientes que habitan los quilombos).

El Ministro de Medio Ambiente dijo que la región amazónica necesita «soluciones capitalistas» que generen ingresos para unos 20 millones de personas que viven en la región. Critica la creación de áreas de preservación y considera que las leyes ambientales son restrictivas. De hecho, no será el gobierno de Bolsonaro el que propondrá soluciones para revertir el aumento de la deforestación en la Amazonía.

El gobierno de Bolsonaro ignora las concepciones de desarrollo de los pueblos indígenas y campesinos que entienden y respetan la naturaleza y la sociedad y cuya prioridad es asegurar condiciones de vida decentes para la población y promover la preservación de la Amazonía.

Bernardo Mançano Fernandes – Universidade Estadual Paulista (UNESP) y Mônica Dias Martins – Universidade Estadual do Ceará (UECE) son representantes de Brasil en el Comité Directivo del Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales (CLACSO).