Feria virtual sobre la obra y el pensamiento de Paulo Freire en el siglo XXI: [Jéssica Camargo]

 Feria virtual sobre la obra y el pensamiento de Paulo Freire en el siglo XXI: [Jéssica Camargo]

Postulante: Jéssica Camargo
País: Brasil
Categoría: Jóvenes de 25 a 35 años

A chama que precisa ser sentida

“Não é na resignação, mas na rebeldia em face
das injustiças que nos afirmaremos.”

~ Paulo Freire

Um dia, quando ainda era pequena me perguntaram qual era meu sonho, logo pensei «crescer oras»… Um dia, na minha adolescência, me fizeram a mesma pergunta, a minha resposta foi «passar na faculdade e me tornar alguém na vida». Cá estou, em plena pandemia, iniciando o que dizia ser meu sonho quando me perguntaram sobre… Mas sei que esse não é meu verdadeiro sonho. Hoje sonho com o dia que vou poder abraçar os outros sem o medo de pegar ou passar um vírus que já matou milhares de pessoas, conhecidas e desconhecidas; sonho com o dia em  que o preconceito vai ser um passado na sociedade; sonho com o dia que não haverá mais pessoas passando fome; eu simplesmente sonho com um mundo melhor.

Eu tento de todas as formas entender como as pessoas se perderam tanto, quando foi que tudo começou a dar errado e se há um culpado disso tudo?

A resposta é simples, mas ao mesmo tempo complicada. Tudo começou a desandar quando o nosso laço comunitário foi substituído pelo individualismo… Os povos que viviam em harmonia na sua comunidade foram dizimados em prol do enriquecimento daqueles que só tinham em si o sentimento de ganância; pessoas foram chamadas de sem alma e escravizadas em prol de um sistema que só beneficia os da elite; fés foram extinguidas, línguas e conhecimentos simplesmente desapareceram.

O sistema escravocrata foi substituído por um novo sistema, que de novo não tinha nada… As/os negras/os mais uma vez sem proteção, as mulheres mais uma vez tendo que obedecer seus maridos (e ah se não obedecesse!).

Já não bastasse o sangue derramado em séculos de escravidão, veio a ditadura, oprimindo os que já eram oprimidas/os, dando força aqueles que já tinham força. Ah! daquelas/es que tentassem falar um «a» contra, ele exilada/o, fuzilada/o, torturada/o… (não importava qual fosse a escolha, só havia um destino: a dor).

E mais uma vez, o cálice estava cheio de sangue de pessoas inocentes que só queriam um pouco de dignidade. Apesar de tudo, seguíamos o caminho daqueles que lutaram e nos ensinaram a lutar: nossas famílias.

Ditadura chega ao fim, direitos são conquistados e os sonhos de um amanhã melhor ressurgem.

No entanto, surge uma figura que traz todo aquele sentimento de ódio à tona de novo, as pessoas deixam seus preconceitos estampados na face sem vergonha alguma, fake news são espalhadas nas redes sociais e o fantasma do comunismo é recriado… Um homem cis branco hétero é chamado de mito e começa seu mandato…

Desmatamento cresce, negacionismo escancarado, universidades correndo risco de serem fechadas… Destruição para todos os lados, mortes para todos os lados (e muitas delas que poderiam ser evitadas)… Ministros pedindo demissão por não aguentar tamanha insanidade; isto quando não são tão dissimulados a ponto de falar frases como “menino veste azul; menina, rosa” ou “a universidade pública é para poucos”…

Corrupção escancarada na cara da sociedade!

As/os jovens tendo que sair em plena pandemia para pedir o básico: vacina, comida e educação!

E mais uma vez a/o jovem não é levado a sério, o país continua com um dissimulado no poder, que ao invés de responder e-mails, sai andando de moto em plena pandemia, pedidos de impeachment engavetados, correndo o risco de haver um golpe, tudo porque há 3 anos quem não foi ouvido? A/o jovem.

Eu corro riscos por estar escrevendo isso, porém não tenho medo de morrer gritando contra um sistema mata milhares de pessoas por dia; não tenho medo de não ser ouvida por ser uma mulher, até porque ser mulher é o que me dá a força que tenho; não tenho medo de lutar, porque é essa luta que me dá a força para levantar todos os dias.

Eu prefiro correr riscos por lutar do que correr riscos por culpa do regresso; eu tenho medo que tudo pelo que minhas ancestrais lutaram seja perdido, então agradeço a elas por tudo e luto dia após dia para que nenhum avanço seja perdido.

Hoje sei que existe uma chama que não pode ser apagada: a chama da juventude. Seja ela forte ou seja em seu estágio inicial pronta para ganhar força e se alastrar mundo afora, dando voz à juventude ao redor do mundo. Chega de nos calar, nós não somos incapazes, nós somos sonhadores e somos a esperança de uma nova forma de ver o mundo e de escrever uma história, a partir daqui, recheada de respeito, empatia e felicidade.

Vamos manter essa chama acesa, pois, enquanto ela existir, haverá esperanças de um mundo melhor!

Jess Sousa, 2021

Comentarios de la autora

Yo quiero hacer un texto que traen reflexión sobre la realidad actual.
A través de mis conocimientos, reflexionar sobre lo que sucede hoy y producir un texto que despierte la voluntad de luchar por nuestros derechos (como jóvenes).
A mi me gustaria hacerlo, porque la realidad en que vivimos hoy trae peligros a la sociedad.
Voy a presentar un Texto. Yo elegi este formato porque es lo que más afinidad tengo y creo que las palabras tienen un poder que puede generar cambios.